ROCK IN RIO – Parte 1

Sim, começou o grande evento da música no ano de 2011, o Rock in Rio. E digo evento da música porque a alcunha de rock já deixou de brilhar sozinha faz tempo, infelizmente. Na verdade nunca o festival foi 100% dedicado ao rock, afinal o primeiro em 1985 tinha no seu cast nomes como Ivan Lins e James Taylor, por exemplo. O segundo apresentava New Kids on the Block, Debbie Gibson e George Michael e o terceiro escancarava de vez com Sandy & Júnior, Britney Spears, Five e ‘N Sync.

O Rock in Rio deste ano não está sendo diferente, dando espaço para todos os estilos musicais. Logo no primeiro dia, o dia pop, tivemos até axé, com Claudia Leite, que tentou fazer jus ao nome do evento com uma cover de Dyer Maker do Led Zeppelin. A bela Katy Perry fez um show bem divertido e Rihanna para mim foi a grande decepção, fechando a primeira noite com pouco entusiasmo. Dias depois fiquei sabendo que ela teve que ser atendida às pressas antes do show por causa de sérios problemas na garganta. Dois foram os destaques da noite para mim. Primeiro, o show de abertura com Titãs e Paralamas do Sucesso. É sempre legar ver as bandas que marcaram sua adolescência. E depois a apresentação do sempre competente Elton John, que merecia ter fechado a noite. Não tem como não se emocionar com canções como Tiny Dancer e Skyline Pigeon, dentre muitas outras.

O segundo dia de festival teve altos e baixos. O show de Mike Patton do Fatih no More cantando músicas em italiano com a Orquestra de Heliópolis no palco secundário foi impagável. O cara é sensacional! No Palco Mundo (principal) tivemos um NXzero esforçado, mas claramente deslumbrado e assustado com a magnitude do espetáculo, um desconhecido, porém muito bom Stone Sour (banda do vocalista do Slipknot) que conseguiu cativar o público com um som pesado e muito bem feito, e um Capital Inicial que sabe como poucos entreter um público, com seus eternos clássicos. Penúltima banda da noite, o calmo Snow Patrol sofreu com a péssima capacidade dos organizadores do evento em termos de escalação. Gosto da banda, tem músicas lindas como Run, Chasing Cars e Open Yor Eyes, mas estavam no dia errado. Deveriam abrir para o Coldplay. O Red Hot Chili Peppers fechou a noite com a animação de sempre, a extrema competência do baixista Felea e privilegiando os clássicos da fase mais recente do grupo (senti falta de músicas antigas como Fight Like a Brave e Knock me Down) e ainda fizeram uma bela homenagem para o filho da atriz Cissa Guimarães que morreu meses atrás.

Para a alegria deste jornalista, a terceira noite foi a do metal, e foi sem dúvida a melhor. Pra começar outra pisada de bola. Deixar a lenda Sepultura no palco secundário e os desconhecidos paulistas do Glória no palco principal é uma tremenda sacanagem. Resultado: vaias incessantes para os novatos que tem no espetacular baterista Eloy Casagrande seu grande destaque. Por falar em Sepultura, a banda acompanhada dos franceses do Les Tambours Du Bronx fizeram um ótimo show. Antes deles o Korzus também foi muito bem e o Angra acompanhado da cantora finlandesa Tarja Turunen sofreu muito com o péssimo som, que o diga o vocalista Edu Falaschi que deu boas desafinadas.

Depois do Glória foi a vez dos desconhecidos norte-americanos do Coheed and Cambria mostrarem seu metal progressivo muito louco. Boa banda. Os caras mandaram bem, principalmente com a cover The Trooper do Iron Maiden, banda que sempre deve ser lembrada quando se fala em Rock in Rio. O clássico Motorhead sofreu com problemas de som, mas Lemmy e Cia. agitaram o público com hinos como Ace of Spades e Overkill, com participação especial do guitarrista Andreas Kisser do Sepultura. Os mascarados do Slipknot vieram em seguida e literalmente detonaram. Paulada atrás de paulada, muito jogo de cena, climas de filme de terror, boa música, domínio do público e performances mais do que energéticas dos músicos, com direito a stage diving e tudo mais. Um show na acepção da palavra, talvez o melhor até agora. Para fechar a noite, o Metallica mostrou por que é uma lenda do metal mundial. Que belo show! Clássicos atrás de clássicos. Os caras continuam excelentes ao vivo. James Hetfield é outro que sabe muito bem como interagir com os fãs. E já estava mais do que na hora do Metallica se apresentar no Rock in Rio original. Músicas como Creeping Death, One, Enter Sadman, Master of Puppets, Whiplash e Seek & Destroy fazem parte da enciclopédia básica de qualquer fã do rock pesado.

Esta foi a primeira parte do festival. Nesta semana ainda teremos a promessa de ótimos shows, afinal vem coisa boa por aí: Guns N’ Roses, System of a Down, Evanescence, Stevie Wonder, Coldplay, além de algumas “papagaiadas” dos organizadores. Mas isso faz parte, afinal festival de música é assim mesmo, deve agradar a gregos e troianos mesmo quando o nome do evento é Rock in Rio.

Momento mais insano do Slipknot no Rock in Rio

BROTHER CANE – Brother Cane (1993)

O Release Musical apresenta umas das bandas mais subestimadas do rock mundial, o Brother Cane. A banda norte-americana lançou três excepcionais álbuns entre 1993 e 1998, e infelizmente ficou estagnada até poucos dias quando anunciou seu retorno.

Falaremos hoje sobre o autointitulado disco de estreia dessa sensacional banda de hard rock com generosas pitadas de blues e do sempre bem-vindo southern rock.

O debut começa com um dos grandes sucessos da banda, a empolgante “Got No Shame” que possui uma sensacional introdução de gaita (que eu até a coloquei como toque do meu celular) e resume bem a qualidade do grupo e suas intenções. Segunda faixa, “Hard Act to Follow” é uma semibalada que aposta alto no seu refrão. “How Long” é puro rock ‘n’ roll muito bem construído com destaque para as guitarras e para o vocal sempre muito bem dosado do líder da banda, Damon Johnson. “Don’t Turn Your Back on Me” mantém o espírito roqueiro lá em cima, mais uma vez apostando nos refrãos grudentos.

Quinta faixa do disco, “Woman” começa cadenciada e lenta e depois acelera bastante, mantendo o padrão rock/blues/southern que permeia o álbum. “Pressure” mantém a linearidade das canções, com destaque para a bateria bem pesada de Scott Collier. O hard rock fala mais alto em “The Last Time”, faixa que ao vivo deve ser sensacional. Dá para imaginar a platéia agitando como nunca. “The Road” é uma das minhas prediletas, e grande destaque do disco junto da faixa de abertura. Ela lembra muito Lynyrd Skynyrd e tem um bom gosto acima do normal. Uma bela balada! “That Don’t Satisfy Me” é outro ponto alto do cd. “Rockão” de primeira com direito a coros femininos e teclados. “Stone’s Throw Away” e a longa “Make your Play” fecham o álbum mantendo o alto nível. Vale salientar a competência dos músicos. O vocalista e guitarrista Damon Johnson é um dos músicos mais requisitados do cenário roqueiro, já tendo trabalhado com feras do quilate de Alice Cooper e Carlos Santana.

Brother Cane é o disco perfeito para quem curte boa música, especialmente se você tiver uma quedinha pelo hard rock temperado com blues e southern rock. A banda é maravilhosa e vale à pena correr atrás dos outros discos, Seeds (que possui o maior sucesso da banda, a ótima “And Fools Shine On”) e  Wishpool. Fica a dica!

Tracklist:

  1. Got No Shame
  2. Hard Act to Follow
  3. How Long
  4. Don’t Turn Your Back on Me
  5. Woman
  6. Pressure
  7. The Last Time
  8. The Road
  9. That Don’t Satisfy Me
  10. Stone’s Throw Away
  11. Make Your Play

 

THE KENNY WAYNE SHEPHERD BAND – How I Go (2011)

O guitarrista Kenny Wayne Shepherd sempre foi um prodígio do Blues Rock, baseando seu som em craques como Eric Clapton, Stevie Ray Vaughn e BB King. Além disso, teve a grande competência de descobrir um vocalista magnífico, Noah Hunt. Essa dupla já nos brindou com ótimos álbuns e acaba de soltar um dos melhores da carreira da The Kenny Wayne Shepherd Band.

“How I Go” tem tudo o que os fãs já estão acostumados e muito mais. Solos inspirados, belas melodias e vocais mais do que perfeitos. Como canta esse tal de Noah Hunt! Para mim, o melhor vocalista do Blues Rock mundial com sobras. Tudo no disco flui de forma muito bem dosada.

Temos aqueles típicos blues rocks com pitadas de southern como na faixa de abertura e primeiro single “Never Lookin’ Back” e em “Come On Over” que tem tudo para tocar nas rádios americanas por muito tempo, até porque para tocar aqui no nosso país é algo impossível, infelizmente. Maldito jabá! Covers muito bem executadas para Yer Blues (Beatles), Back Water Blues (Bessie Smith) e da manjada , mas sempre bem-vinda “Oh, Pretty Woman”, e excelentes baladas como “Show Me The Way Back Home”, “Heat of the Sun” e “Who’s Gonna Catch You Now”.

Destaque também para a brilhante “Anywhere The Wind Blows” cuja construção é perfeita (melodia, solos, refrão) e que nos remete aos primeiros discos da banda; a pesada “The Wire” e o provável hit, “Cold”. A versão deluxe do álbum traz ainda as ótimas “Butterfly”, “Cryin’ Shame” e “Baby the Rain Must Fall”.

Vale lembrar que além de Shepherd e Hunt a banda ainda conta com dois grandes ícones do hard/blues rock, o experiente baterista Chris Layton (Double Trouble) que já tocou com Stevie Ray Vaughn e com o Arc Angels; e o virtuoso baixista Tony Franklin, ex-Blue Murder, Whitesnake e tantos outros.

Enfim, “How I Go” possui uma musicalidade única, grande linearidade entre as faixas e muito, mas muito bom gosto. Vá atrás e curta esse ótimo lançamento.

Tracklist:

1. Never Lookin’ Back
2. Come On Over
3. Yer Blues (The Beatles Cover)
4. Show Me The Way Back Home
5. Cold
6. Oh, Pretty Woman (Albert King Cover)
7. Anywhere The Wind Blows
8. Dark Side Of Love
9. Heat Of The Sun
10. The Wire
11. Who’s Gonna Catch You Now
12. Back Water Blues (Bessie Smith Cover)
13. Strut

14. Butterfly
15. Cryin’ Shame
16. Baby The Rain Must Fall

 

WARRANT – Cherry Pie (1990)

Podem dizer que é farofa, poser, que os caras usam laquê, mas o que importa é que Cherry Pie é um baita disco de hard rock, repleto de clássicos, e o Warrant apesar de ter sido bastante subestimado não deve nada a qualquer outra banda do hard americano. Sempre gostei muito deles e o recém-falecido vocalista e compositor principal do grupo, Jani Lane, cantava muito.

Lançado em 1990, Cherry Pie foi responsável por tornar o Warrant conhecido no mundo todo. O álbum é bastante inspirado, cheio de boas músicas, verdadeiros hits, especialmente as baladas que povoaram a MTV por muito tempo.

A faixa título, que abre o disco é sensacional. Típica música grudenta, repleta de coros, boas guitarras e com aquele astral perfeito de um bom “hard festeiro”. Ajudada por um clipe mais do que divertido, a faixa era cantada em uníssono por todas as platéias e é o grande clássico da banda. Logo na sequência estão os outros três singles do álbum. “Uncle Tom’s Cabin” é pesadona e possui um “quezinho” de southern rock; e as maravilhosas baladas “I Saw Red” (uma das melhores baladas da história do hard rock) e “Bed of Roses”, com melodias e vocais prá lá de caprichados. Fáceis de emocionar, principalmente a primeira que consegue ser melancólica e tocante ao extremo.

“Sure Feels Good To Me” e “Love In Stereo” são bastante parecidas e retomam o rock ‘n’ roll “festeiro” e sacana típico do Warrant, enquanto “Blind Faith” comprova a habilidade da banda em criar belas baladas. Destaque mais do que especial para os vocais de Lane

Oitava faixa, “Song and Dance Man” começa com uma caprichada introdução de violão e combina momentos bastante calmos com partes mais agitadas. “You´re the Only Hell Your Mama Ever Raised” é talvez a canção menos empolgante do disco e antecede uma das minhas prediletas, “Mr Rainmaker” que aposta alto nos solos de guitarra e no ótimo refrão.  “Train Train” é um cover muito bem executado da banda de southern rock Blackfoot e que praticamente fecha o álbum. Praticamente, porque ainda tem uma compilação de palavrões e xingamentos (“Ode to Tipper Gore”) que serve como “homenagem” à esposa do ex-vice-presidente americano Al Gore, que era responsável por um órgão pró-censura que adorava pegar no pé dos músicos americanos.   

Cherry Pie está sem dúvida entre os melhores discos do hard rock americano de todos os tempos. Não canso de ouvi-lo, e recomendo pra quem curte esse estilo musical. Ta aí a homenagem do Release Musical ao já saudoso vocalista Jani Lane, que nos deixou muito cedo, aos 47 anos de idade.

Track List:

1.Cherry Pie
2.Uncle Tom’s Cabin
3.I Saw Red
4.Bed of Roses
5.Sure Feels Good to Me
6.Love in Stereo
7.Blind Faith
8.Song and Dance Man
9.You’re the Only Hell Your Mama Ever Raised
10.Mr. Rainmaker
11.Train, Train
12.Ode to Tipper Gore

TEDESCHI TRUCKS BAND – Revelator (2011)

Todo mundo que gosta de música de qualidade deveria ouvir este CD. O que não falta em Revelator é bom gosto e muita, muita inspiração. O segredo para isso é a união entre o guitarrista Derek Trucks (da excelente Derek Trucks Band, e do super cultuado Allman Brothers Band) e a esposa, a ótima cantora Susan Tedeschi.

Contando com o apoio de uma banda supertalentosa composta por nove integrantes, dentre eles, músicos e backing vocals, Trucks e Tedeschi produziram um grande álbum. As doze faixas deste debut escancaram as principais influências da dupla, ou seja, muito blues, soul, rock sessentista e algumas pitadas de southern rock, gospel e até notas de música indiana (que Derek Trucks vira e mexe apresenta em seus trabalhos).

Difícil não ficar cativado pelo belo timbre vocal de Susan Tedeschi. Sua voz é forte, potente e doce ao mesmo tempo, e é impressionante como combina com a guitarra de Trucks, que mais uma vez capricha nos slides e sola com absurda precisão. Maior exemplo disso está na segunda canção do disco, a fantástica “Don’t Let Me Slide”, um blues de primeiríssima qualidade.

Baladas como “Midnight in Harlem” e “Until You Remember” dão um clima intimista, perfeito para aqueles momentos em que tudo o que você quer é relaxar ouvindo boa música. E faixas como “Ball and Chain”, “Learn How to Live” e “Love Has Something Else to Say” (onde Derek Trucks comprova seu talento vocal) mostram o que uma banda poderosa e muito bem conduzida pode fazer, seja no blues, ou no rock ‘n’ roll.

O mais legal desse disco é que todas as faixas são boas, fica difícil dizer que você gostou mais dessa ou da outra, ou que achou que uma era mais fraquinha que a anterior. Isso demonstra a linearidade e a perfeição de uma obra, na acepção da palavra.

Revelator estreou na décima segunda posição da parada Billboard 200 e é definitivamente  um álbum muito gostoso de ouvir. Trucks e Tedeschi capricharam. Apesar de ser meio piegas, podemos dizer que esse é mais um exemplo de um casamento de sucesso, tanto na vida como na arte. Ouçam, que vale à pena…
Track List:

1. Come see about me
2. Don’t let me slide
3. Midnight in Harlem
4. Bound for glory
5. Simples Things
6. Until you remember
7. Ball and chain
8. These walls
9. Learn how to love
10. Shrimp and grits
11. Love has something else to say
12. Shelter

 

LYNYRD SKYNYRD – Live From Freedom Hall (2010)

É sempre um grande prazer ouvir os cd’s ao vivo do Lynyrd Skynyrd – maior banda de southern rock da história – e olha que são muitos. Quase todo final de turnê eles soltam um novo, mas este é especial, afinal, “Live from Freedom Hall” não deixa de ser uma homenagem aos ex-membros Billy Powell e Ean Evans, que faleceram dois anos após este show gravado em Louisville (Kentucky), em 2007, para cerca de 20 mil sortudos.

 A propósito, estou pra ver banda mais azarada que o Skynyrd, vários músicos banda já morreram desde sua formação em 1970, inclusive seu líder e mentor, o ex-vocalista Ronnie Van Zant, e mesmo assim, a banda mantém uma qualidade assustadora, com o pique lá em cima e sempre fiéis aos estilo que lhe consagrou.

 Johnny Van Zant (vocal), Gary Rossington, Mark Matejka e Rickey Medlocke (guitarras), Ean Evans (baixo), Billy Powell (teclado) e Michael Cartellone (bateria), juntamente com as cantoras de apoio Carol Chase e Dale Krantz-Rossington, optaram por um set razoavelmente curto (80 minutos), porém repleto de sucessos. A performance dos músicos é perfeita, como de costume.

 O show começa com duas músicas mais recentes, “Travelin’ Man” e “Workin”, que mostram bem o talento da formação atual. Logo em seguida uma trinca de tirar o fôlego com as clássicas  “What’s Your Name”, “That Smell” e a sensacional “Simple Man”. Não tem como não se emocionar com essa música. Uma das minhas prediletas. As antigas “Down South Junkin’” e “The Needle and the Spoon” servem como um presente aos fãs mais assíduos da banda, pois não costumam figurar tão frequentemente nos setlists atuais da banda.

 A totalmente country “The Ballad of Curtis Loew” e a energética e empolgante “Gimme Back My Bullets” mantém a plateia em êxtase. Presença mais do que garantida em todos os concertos da banda, a ótima balada “Tueday’s Gone” retoma a emoção pura. Só consigo imaginar as luzes dos isqueiros (opa! Celulares…) e muita gente prestes a derramar algumas lágrimas. Atuação impecável de toda a banda. A nova “Red White and Blue” apela para o patriotismo sem deixar de lado a bela melodia. Outra obrigatória, “Gimme Three Steps” com seu ritmo festeiro põe todo mundo para dançar – sim o southern rock também é para dançar.  “Call Me The Breeze” é uma perfeita continuação para “Gimme Three Steps” e só não empolga quem estiver de muito mal humor.

 E como o melhor sempre fica para o final, surgem os dois maiores clássicos do Lynyrd Skynyrd. “Sweet Home Alabama” é a perfeita explicação para quem não sabe o que é southern rock. Todo mundo conhece e sabe cantar esse hino. E para encerrar esse grande show a favorita de quase todos os fãs, a belíssima “Free Bird”. Este épico de mais de onze minutos acaba derrubando definitivamente as lágrimas daqueles que conseguiram se segurar até aquele momento, e sempre serve como homenagem ao saudoso e inesquecível Ronnie Van Zant. Maravilhoso!

 A qualidade de “Live From Freedom Hall” é espantosa. Excelente repertório (claro que sempre fica faltando uma ou outra música, mas isso é mais do que normal) e ótima atuação da banda. Imperdível. Ah, como eu gostaria de ver esses caras por aqui! Sonhar não custa nada…

 Tracklist:
1. Travelin’ Man
2. Workin’
3. What’s Your Name
4. That Smell
5. Simple Man
6. Down South Jukin’
7. The Needle And The Spoon
8. The Ballad Of Curtis Loew
9. Gimme Back My Bullets
10. Tuesday’s Gone
11. Red White And Blue
12. Gimme Three Steps
13. Call Me The Breeze
14. Sweet Home Alabama
15. Free Bird

BLACK COUNTRY COMMUNION

Esta é uma resenha um tanto quanto diferente, pois ao invés de falar sobre um cd específico eu apresentarei uma banda, ou melhor, uma superbanda, que em pouco menos de um ano já nos presenteou com dois álbuns imperdíveis.

O Black Country Communion é formado por Glenn Hughes, baixo e vocal (ex-Trapeze, Deep Purple e Black Sabbath); Joe Bonamassa, guitarra e vocais; Derek Sherinian, teclados (ex-Dream Theater e Billy Idol) e Jason Bonham, bateria (filho do ex-baterista do Led Zeppelin, John Bonham). Resumindo, só feras!

E o som dos caras é sensacional e é calcado no Hard Rock e no Blues Rock. O primeiro cd intitulado “Black Country” foi lançado em Setembro do ano passado e mostra um rock ‘n’ roll coeso, pesado e de um bom gosto invejável, muito superior ao que as bandas mais jovens andam fazendo. A performance de todos os músicos é empolgante: vocais caprichados (como de costume em se tratando de Glenn Hughes e porque não de Joe Bonamassa), riffs de guitarra certeiros, teclados sem afetações e uma perfeita combinação entre baixo e bateria. As vigorosas canções do debut são quase todas reflexo da parceria entre Hughes e Bonamassa.

Destaques para o primeiro single “One Last Soul”, uma bela música que conta com um ótimo solo de Bonamassa que mostra estar em constante evolução; “Down Again” (blues rock de primeira qualidade); “Sons of Yesterday”, uma das minhas prediletas e que conta com vocais de Bonamassa e combina com perfeição passagens mais suaves com o vigor do rock ‘n’ roll; “Medusa”, regravação de um clássico do Trapeze; e as arrasa-quarteirões “Stand (At The Burning Tree)”, onde Hughes realmente detona e “Sista Jane”, que além de mostrar o contraste entre os vocais de Hughes e Bonamassa conta com um refrão forte e grudento.    

Aproveitando o sucesso do primeiro álbum e a interminável (graças aos deuses do rock) inspiração e química entre os músicos a banda tratou logo de liberar seu segundo cd. Lançado há algumas semanas, “2” (tá certo, a criatividade sem fim das canções não foi a mesma para os títulos dos álbuns) é aquele mais do mesmo positivo, em que a gente aceita feliz e agradece. Não apresenta grandes diferenças do debut (apesar de eu gostar ainda mais desse novo álbum), o que nesse caso é muito bom. Talvez a única diferença seja um melhor aproveitamento dos teclados de Sherinian que deixam de ser pano de fundo para conduzir a melodia e o andamento de algumas faixas.

Difícil escolher as músicas que mais se destacam, afinal “2” é bastante linear. “The Outsider” é um excelente “abre-alas”; “Man In The Middle” (primeiro single) é poderosa e resume bem a competência coletiva da banda;  “The Battle of Hadrian’s Wall” e “No Ordinary Son” mostram que o guitarrista Joe Bonamassa também canta muito. “Save Me” é demais! Melhor faixa do cd e lembra bastante o bom e saudoso Led Zeppelin (os fãs do Zep vão chorar nessa canção). “Faithless” é uma semi-balada que é a cara de Glenn Hughes e “Crossfire” tem cara de Jam Session, onde todos mostram seu talento mais do que apurado. “Cold” fecha o cd da melhor maneira possível, deixando aquele gostinho de quero mais.

Resumindo, se você não conhece essa banda corra atrás porque é maravilhosa. Rock ‘n’ roll de verdade, muito bem tocado e  extremamente prazeroso de ouvir. Não perca. Fica a dica!

FAITH NO MORE – The Real Thing (1989)

Continuando a seção “Álbuns que marcaram uma geração”, trago agora uma das minhas bandas prediletas e que por curiosidade se apresentou junto com o Guns N’ Roses no  Rock in Rio 2, em 1991 (roubando a cena, por sinal), o Faith no More, e seu maior clássico, The Real Thing.

Lançado em 1989, The Real Thing é o primeiro disco da banda a ter Mike Patton nos vocais, acompanhando Jim Martin (guitarra), Billy Gould (baixo), Mike Bordin (bateria) e Roddy Bottum (teclados). Patton foi sem dúvida alguma o grande responsável por fazer deste álbum um enorme sucesso e de levar o FNM ao estrelato. Com razão, afinal The Real Thing é excelente e Patton além de muito carismático, é um verdadeiro showman. Quem já viu algum show deles sabe o que estou falando.

“From out of Nowhere”, umas das faixas mais famosas do grupo e primeiro single, abre o disco com tudo, mesclando pop com hard rock. Logo em seguida já temos o grande clássico do Faith No More, a mais do que perfeita e inesquecível “Epic”. Sim aquela do clipe do peixinho, como diria um amigo meu, imortalizado por uma MTV ainda no seu início (sim, a MTV já foi legal, passava clipes, inclusive). “Epic” resume bem o que é a banda, vocais beirando o rap/hip hop, guitarra, bateria e baixo pesados em plena sintonia e até um piano clássico de fundo para completar o molho. Completando a trinca de tirar o fôlego surge a alegre “Falling To Pieces”. Outra a ter um clipe extremamente bem feito e que mostra a banda fazendo o típico som californiano, classificado por muitos como funk metal (lembrando Red Hot Chilli Peppers dos bons tempos). Destaque absoluto para o baixo de Billy Gould. Outro clássico!

A quarta faixa do álbum “Surprise! You’re Dead!” é uma verdadeira porrada, uma das mais pesadas da carreira da banda (o batera Mike Bordin dá um show) e que contrasta com “Zombie Eaters” que chega logo na sequência apostando em um clima mais intimista, até soturno, mas que logo retoma o peso e a quebradeira. Nessa faixa Patton mostra todo seu talento misturando vocais agressivos, “rapeados” e suaves. A faixa título mantém o pique em seus mais de oito minutos e o refrão é sensacional. Musicalidade, agressividade, experimentalismo e talento acima da média.

Sétima faixa, “Underwater Love” mostra um Mike Patton “brincando” com sua voz, anasalada no começo e bem melódica do meio para o final. “The Morning After” tem uma introdução que lembra bastante “We Care a Lot” (única música de sucesso da banda com o vocalista original Chuck Mosely) mas talvez seja a faixa mais fraca do disco. “Woodpeck from Mars” é instrumental e mistura o peso tradicional da banda com sons indianos e progressivos. A penúltima música é uma cover honesta e muito bem feita de “War Pigs” do Black Sabbath. “Edge of the World” fecha o álbum com um pouco de calmaria. Baladaça sem guitarras, com uma pegada de jazz e com direito a estalar dos dedos.

The Real Thing é um álbum inesquecível e que tornou o Faith No More conhecido e respeitado, garantiu uma extensa turnê ao lado do Metallica, além de um prêmio Grammy e muitos discos vendidos em todo o mundo. Imperdível!

 Tracklist:

  1. From Out of Nowhere
  2. Epic
  3. Falling to Pieces
  4. Surprise! You´re Dead!
  5. Zombie Eaters
  6. The Real Thing
  7. Underwater Love
  8. The Morning After
  9. Woodpecker From Mars
  10. War Pigs (Black Sabbath cover)
  11. Edge of the World

Epic – YouTube

GUNS N’ ROSES – Appetite for Destruction (1987)

Ta aí um disco que marcou toda uma geração e fez muita gente começar a gostar de rock ‘n’ roll. Difícil não ser fã de Appetite for Destruction, um dos álbuns mais populares da história da música pesada, que vendeu e, ainda vende, horrores e que catapultou o Guns ao sucesso mundial.

Axl Rose (vocal), Izzy Stradlin (guitarra), Slash (guitarra), Duff McKagan (baixo) e Steven Adler (bateria) eram meros desconhecidos na cena californiana em 1987, entretanto o lançamento de um disco acima da média, somado ao patrocínio do poderoso David Geffen, dono da Geffen Records, e a aproximação da MTV com o hard rock e o heavy metal foram decisivos para a criação de um mito.

E o disco merece todo respeito e reconhecimento que teve e ainda tem. É empolgante desde a primeira faixa, o clássico “Welcome to the Jungle”, que abre os trabalhos de forma perfeita, com peso do começo ao fim. Impossível esquecer de Axl berrando a introdução “You know where you are? You´re in the jungle baby!”. Um verdadeiro hino! Segunda faixa, “It’s So Easy” é uma das minhas prediletas, hard rock de primeira e que faz parte do setlist de todos os shows solo de Slash ou com sua banda pós-Guns, o Velvet Revolver. Sem deixar a peteca cair, “Nightrain” mostra riffs sensacionais de Slash, com uma pegada quase heavy metal. Os fãs tem um carinho especial por essa faixa.

“Out Ta Get Me” é uma parceria entre Axl e o excelente guitarrista Izzy Stradlin (que tanto faz falta a banda), e “Mr. Brownstone”, outra predileta da casa, se destaca pelo refrão pegajoso. Sexta faixa, “Paradise City” é outro grande hino do rock. Canção favorita de Slash, é presença garantida em todos os shows da banda, quase sempre no bis, como ocorreu em toda a turnê dos discos Use Your Illusion e Chinese Democracy.   

Na sequência “My Michelle” mostra um flerte da banda com o punk rock e “Think About You” de autoria de Izzy é aquele tipo de canção “mais alegrinha” que alterna melodias mais leves com os agudos de Axl. A nona faixa é outro momento marcante, “Sweet Child O’ Mine”, uma semi-balada que todo mundo canta junto, seja num show ou quando a ouvimos no rádio. E quem não se lembra do vídeo clipe onde Axl eternizou sua famosa e sempre copiada dancinha. Talvez o maior sucesso da banda.

 “You’re Crazy”, “Anything Goes” e “Rocket Queen” fecham o álbum. As duas primeiras são típicos hard rocks californianos, com guitarras sujas e encorpadas e a última mostra um Guns mais pesadão e sacana (a música fala de uma ex-namorada do vocalista e alguns gemidos femininos são ouvidos ao fundo). Resumindo, um grande disco de uma banda que nunca deveria ter se separado, porém os egos gigantes sempre jogaram contra, separando Axl do resto do grupo.

Bom, deixa eu acabar essa resenha porque fiquei com vontade de escutar pela enésima vez esse clássico. Aproveite e faça o mesmo, pois não irá se arrepender. Garanto!

Tracklist:
1. “Welcome to the Jungle”
2. “It’s So Easy”
3. “Nightrain”
4. “Out Ta Get Me”
5. “Mr. Brownstone”
6. “Paradise City”
7. “My Michelle”
8. “Think About You”
9. “Sweet Child O’ Mine”
10. “You’re Crazy”
11. “Anything Goes”
12. “Rocket Queen”

Sweet Child O\’ Mine – YouTube

Sin-Atra – A Metal Tribute to Frank Sinatra

Algum dia você imaginou que artistas de Hard Rock e Heavy Metal pudessem fazer versões de Frank Sinatra? E ainda mais, que esses clássicos pudessem ficar no mínimo interessantes? Pois é, foi pensando nisso que o veterano guitarrista Bob Kulick convidou alguns amigos para lançar um tributo ao “Mr. Blue Eyes”.

Sin-Atra, reúne doze clássicos de Frank Sinatra interpretados por um time da pesada, que conta, dentre outros, com Glenn Hughes, Geoff Tate (Queensryche), Dee Snider (Twisted Sister), Eric Martin (Mr. Big) e Jani Lane (Warrant). Os cantores são acompanhados por uma banda igualmente competente composta por Bob Kulick; Billy Sheehan (baixo); Brett Chassen (bateria) e Doug Katsaros (teclados, orquestrações). Além da participação especial do guitarrista Ritchie Kotzen no solo de “That´s Life”.

Alguns poderão achar um sacrilégio (a versão de New York, New York de Devin Townsend que abre os trabalhos dói um pouco), mas os roqueiros vão gostar deste tributo. A versão de Glenn Hughes para “I’ve Got You Under My Skin” ficou muito legal, assim como “Summerwind” com Geoff Tate. Dois vocalistas fantásticos que souberam usar seus vozeirões sem afetações. Outro que mandou bem foi o vocal do Twisted Sister, Dee Snider, com sua versão pesadona de “It Was a Very Good Year”, talvez a melhor do disco, e que conta com um excelente solo de guitarra de Kulick e algumas passagens “chupadas” de Kashmir do Led Zeppelin.

Eric Martin, do Mr. Big, é outro destaque, conseguindo mostrar seu talento em uma versão bastante correta de “Lady is a Tramp”. E Joey Belladona do Anthrax reconstruiu “Strangers in the Night” de forma bastante interessante e surpreendente. Gostei. O álbum fecha com uma honesta versão de “That’s Life”, cantada pelo antigo vocalista do Warrant, Jani Lane, onde o excelente guitarrista Ritchie Kotzen mostra mais uma vez que é um dos melhores músicos da atualidade.

Como ocorre em todo tributo, algumas faixas se destacam mais do que outras e algumas versões acabam ficando meio estranhas se ficarmos pensando na original, portanto, esqueça a original e aprecie esse trabalho que surpreende em alguns momentos. Vale à pena dar uma escutada, sem preconceitos! Agora se você é muito, muito fã de Frank é melhor não correr riscos…

Tracklist Completo:
01. New York, New York (Devin Townsend, ex-Steve Vai)
02. I’ve Got You Under My Skin (Glenn Hughes, Ex- Black Sabbath, Deep Purple, etc.)
03. Summerwind (Geoff Tate, Queensryche)
04. It Was A Very Good Year (Dee Snider, Twisted Sister)
05. Witchcraft (Tim “Ripper” Owens, ex-Judas Priest)
06. Fly Me To The Moon (Robin Zander, Cheap Trick)
07. Lady Is A Tramp (Eric Martin, Mr. Big)
08. I’ve Got The World On A String (Doug Pinnick, King’s X)
09. Love And Marriage (Elias Soriano, Nonpoint)
10. Strangers In The Night (Joey Belladonna, Anthrax)
11. High Hopes (Franky Perez, Scars on Broadway)
12. That’s Life (Jani Lane, ex-Warrant)