ICCARO BASS CAVALERA: RELEASE SHOW “THE TALES OF GASPAR & ALLISON” + CONCEITO DO ÁLBUM

Por Luiz André Guazzelli (@tucoguazza)

Fotos: Ricardo Kafka (@kafkafotografka)

Em 14 de dezembro de 2025, no Parque Central em Santo André, aconteceu a estreia nos palcos do projeto musical do vocalista e multi-instrumentista, de 23 anos, Iccaro Bass Cavalera. O primeiro show oficial do artista e da sua competente banda formada por Art Relli, guitarrista e violinista; Vini Diaferia, baixista; e Thiago Fernandes bateria, teve como foco a apresentação na íntegra do primeiro álbum lançado pelo artista em abril deste ano, o conceitual “The Tales of Gaspar & Allison”. Além das 9 faixas do álbum, foram apresentadas pequenas inserções de “Lovesong” do The Cure e “Wicked Game” de Chris Isaak, além de uma maravilhosa versão de “I Stay Away”, do Alice in Chains, no bis.

Mesmo sendo um “Release Show” a banda mostrou total coesão no palco, tanto na parte musical quanto na parte visual, apostando em algumas encenações que explicam a história do álbum. Em nenhum momento se deixou transparecer que esta era a primeira apresentação do grupo, e se houve algum nervosismo pela estreia com público, foi bastante imperceptível, fruto de muito ensaio e dedicação ao projeto. “O show foi ótimo! Claro que houve um nervosismo, mas ensaiamos muito, somos muito perfeccionistas e queríamos que esse show desse certo e funcionasse realmente como uma porta de entrada para a banda, um recado de que estamos por aqui”, afirmou Iccaro Bass Cavalera. Para o baterista Thiago Fernandes, o nervosismo aconteceu naturalmente e junto com muita adrenalina: “o álbum é muito intenso, mas estávamos muito empenhados, trabalhamos muito e tivemos todo o cuidado para apresentar essa obra”. Já para o baixista Vini Diaferia a ansiedade foi grande até o dia chegar, mas a preocupação maior era realmente fazer uma apresentação boa para o público e que todos gostassem do show.

Apesar do álbum ter sido inteiramente concebido, produzido, gravado e ter todos seus instrumentos tocados por Iccaro, os músicos conseguiram colocar sua identidade nas composições, elevando o nível das 9 faixas do debut, vide, por exemplo, as bem encaixadas inserções de violino em algumas canções. “Quando o Iccaro conversou com a gente ele disse que o álbum estava pronto, mas que fazia questão de que cada um colocasse suas influências, sua essência nas faixas e que cada um imprimisse um pouco da sua cara nas composições”, afirmou Thiago.  O guitarrista e violinista Art Relli concorda e acrescenta: “A primeira coisa que eu falei para o Iccaro quando ele me convidou para a banda foi que eu não era um músico de estúdio, de sessão, que eu era “sujo, todo torto”, do ao vivo, e era isso mesmo que ele queria para a banda e isso me deu toda a liberdade para colocar uma coisa aqui ou ali como na música Sinner/God” (terceira faixa do disco). Isso tudo dá vida às músicas, afinal a música tem isso do intangível”.

A amizade entre os integrantes da banda e a forma semelhante de pensar e ouvir música demonstra bem o entrosamento da banda e condiz totalmente com a escolha dos músicos. “Quando o Iccaro conversou conosco ele falou que estava entregando o disco dele para nós e que queria focar seriamente no projeto e que contava com a gente por que sabia que tínhamos a mesma paixão, gosto musicais parecidos e que queria uma coisa livre, natural, para que agregássemos mesmo”, salienta Vini.

Para Iccaro, a escolha dos músicos que iriam seguir com ele no projeto iria muito mais além do quão bons esses músicos seriam: “A minha questão era que eu queria pessoas que gosto no palco comigo. Eu poderia ter chamado o baterista X, o baixista Y entregar as partituras e falar aprende a música aí e vamos tocar tal dia em tal lugar, mas não, eu queria me divertir tocando e com pessoas que eu gosto e confio. Realmente nossos gostos musicais batem muito e isso também ajuda”.

O passo inicial foi dado com sucesso. O disco é incrível, o show é ótimo e a banda está unida e afinada. O futuro parece muito promissor e a vontade de tocar transparece nos rostos de cada músico. “A gente precisava ter um show para lançar a banda e o álbum. Isso foi feito, agora vamos intensificar os shows e na sequência trabalhar juntos em novas músicas no estúdio, colocando a pitada de cada um nessas composições, juntando todas as nossas influências que são as mais variadas possíveis”, afirma Iccaro. “Estávamos ansiosos para estrear esse show e seguir em frente, afinal nós temos muitas ideias, algumas nem cabem nesse repertório e queremos gastar essas ideias novas em futuras composições”, complementa Vini. Thiago e Art concordam e acreditam que “ainda devem girar bastante esse show que foi exaustivamente trabalhado e pensado e agora além de lapidar esse show poder colocar novas ideias em prática e acrescentá-las nas futuras apresentações”.

Iccaro Bass Cavalera e Banda sejam muito benvindos!!! A cena musical brasileira e mundial agradece.

O Conceito do Álbum

Filho do fundador e ex-baterista da banda Sepultura, Iggor Cavalera e da empresária e produtora musical Monika Bass Cavalera; Iccaro Bass Cavalera nasceu imerso na cena musical. Autodidata, Iccaro aprendeu a tocar diversos instrumentos sozinho pela internet e foi a paixão pela música que o motivou a desenvolver seus dotes musicais e deixar fluir o talento que sempre correu em suas veias.

Começou a compor desde muito jovem sempre no piano e na guitarra. Fez testes aqui e acolá, gravou e mixou uma coisa ou outra até que uma música em especial chamada “Allison” despertou nele a ideia de que tinha uma história surgindo. Ao transformar essa letra em música começou a ganhar vida a obra “The Tales of Gaspar & Allison”.

Lançado em abril de 2025, “The Tales of Gaspar & Allison” foi gravado, produzido e mixado dentro do quarto do artista e segundo o autor, “tudo se passa numa cidade ferroviária dos anos de 1800 e conta a história de Gaspar, um coronel depressivo, melancólico, extremamente triste, que odeia sua vida apesar de ter tudo, e de Allison que chega na cidade como uma salvação para a tristeza dele, mas com o decorrer do álbum a gente vai percebendo que essa história de amor não é tão feliz quanto parece”. Importante citar que a inspiração para essa história surgiu após uma visita de Iccaro ao distrito de Paranapiacaba em Santo André-SP.

Musicalmente o álbum é bastante eclético e criativo, misturando momentos introspectivos e melancólicos com passagens atmosféricas e outros momentos mais agressivos e pesados, com vocais que alternam o suave e os gritos e refletem os sentimentos dos personagens, amor, angústias, paixão e raiva.

Muito difícil de rotular (ainda bem!) o trabalho, mas tem um pouco de tudo, rock, pop, dark, folk, metal em suas mais diferentes vertentes. Consegue contrastar guitarras pesadas, com outros instrumentos como bandolim, berimbau, teclados e sintetizadores, tudo de forma bastante orgânica. As influências de Iccaro Bass Cavalera para a composição do álbum vão desde Nick Cave e David Bowie até bandas de rock progressivo e metal extremo.

“The Tales of Gaspar & Allison” permite várias interpretações, e segundo o autor nada é errado: “se sua interpretação for diferente do que eu escrevei está tudo certo, essa é a beleza da arte”. A faixa de abertura, “Greetings, My Doom” serve com uma apresentação do personagem Gaspar, situando o ouvinte na cidade, e mostrando o vazio que o personagem sente, sua fuga e a sensação que alguém está para chegar. Destaque para a introdução com um riff de bandolim invertido que emula o trilho de um trem. Na sequência “Allison” apresenta a personagem, envolta em uma atmosfera dark. Seria ela uma morta-viva?

Extremamente bem construída, a terceira faixa, “Sinner/God” tem a participação mais do que especial do baterista Iggor Cavalera e explica a relação entre os dois protagonistas. Gaspar se considera um Deus, o “dono do pedaço”, mas também um pecador e que Allison pode trazer um alívio a ele, mas fica a dúvida se ele realmente sabe quem ela é. A faixa é certamente um dos destaques do disco.

“Visions” é a canção de amor do álbum, e talvez a preferida deste jornalista. Linda! Iccaro destaca a frase “Nunca foi a sua culpa, mas você tinha muita culpa”, e explica: “segundo Gaspar não era culpa dela ele ter se apaixonado por ela, mas, sim foi culpa dela ter feito o que fez com ele”. Já “Maze” explora o labirinto aonde o personagem de Gaspar se perdeu. Tudo fica mais nebuloso. A letra é mais rebuscada e brinca com o abstrato. Fica claro que Gaspar percebeu as duas faces de Allison (Jekyll & Hyde) e que as coisas não estão boas para ele.

As duas faixas seguintes, “The Malediction” (desafio qualquer ouvinte após a canção não sair gritando por aí “Get Away diversas vezes)e “Eternal Damnation” são as mais viscerais e pesadas do álbum e retratam a agonia do coronel agora amaldiçoado. “Em Malediction” o ritual foi feito, e é retratado no início pelo berimbau, Gaspar não consegue mais fugir e apesar de não querer ir embora ele sabe que o fim está próximo e acaba até aceitando. Por sua vez, Eternal Damnation” é a destruição da alma de Gaspar, não há mais retorno. Ele tem o discernimento de que morreu e se submete à danação eterna”.   

“Soma” é o caminho de Gaspar até a eternidade e marca a melancólica despedida do personagem que pede a libertação mesmo sabendo que nunca foi uma boa pessoa, enquanto a instrumental “Decay” fecha o álbum de forma sublime; é uma espécie de marcha fúnebre e associa sons da chuva a um extremamente bem colocado acordeão. A chamada calmaria após a tempestade.

Além da parte musical é necessário destacar a linda capa do álbum desenvolvida por Iccaro Bass Cavalera em conjunto com a artista Rafa Milani (@milani.rafa.art) e que de forma brilhante promove uma dicotomia entre as letras em inglês e o conceito agressivo e melancólico do álbum com a linguagem popular e folclórica do Nordeste brasileiro retratada em xilogravuras pelo Cordel. “A capa representa um Cordel Dark. Queria realmente propor essa coisa da pessoa ver uma capa de cordel e contrastar com a sonoridade que o disco tem, por exemplo, bateria com bumbo duplo e vocais guturais, mas que tem baião, berimbau também. Essa era a ideia e que a Rafa executou brilhantemente na capa”, explica Iccaro.  Além disso, Rafa também fez as imagens do clipe para a faixa de abertura “Greetings, My Doom”.

“The Tales of Gaspar & Allison” é uma obra complexa, mas além da sua força musical deixa claro que a história pode galgar outros espaços. Tem potencial enorme para a literatura e principalmente para dar origem a filmes ou minisséries. Sem contar que os personagens podem render obras paralelas, e a história ser retomada explicando suas origens, por exemplo. Segundo Iccaro, existe sim a vontade de expandir a história para além da parte sonora, e livros e audiovisual estão no “cardápio”, mas tudo ao seu tempo: “da mesma maneira que ensaiamos quase um ano para fazer o primeiro show, acho que esse projeto precisa ser bem pensado, com muito tempo de produção e aperfeiçoamento. Vai rolar no seu tempo, sei do potencial visual que o álbum tem, mas não tenho pressa nenhuma, será feito do jeito certo!”.

Enquanto esperamos por mais shows e a expansão desse universo, só nos resta ouvir a história de Gaspar e Allison no volume alto e curtir. O álbum pode ser ouvido em todas as plataformas musicais e se quiser mais detalhes sobre o artista não perca a entrevista de Iccaro Bass Cavalera no programa PapoSound (@paposoundoriginal) da DJ Kelly Silva (@deejaykellysilva), no YouTube: 

Youtube – www.youtube.com/@iccaromusic

Spotify – https://spoti.fi/42tWJjr

Apple Music – https://apple.co/42BCksG

Instagram – https://bit.ly/iccarogram

Other – https://linktr.ee/iccaromusic

PapoSound com Icccaro Bass Cavalera: https://www.youtube.com/watch?v=hEqXxnNfP7I

Instagram:

Iccaro Bass Cavalera – @iccarocavalera

Art Relli – @art_relli

Vini Diaferia – @vini.diaferia

Thiago Fernandes – @thiago89fernandes

THE LORDS: COMEMORAÇÃO DOS 10 ANOS DE BANDA E LANÇAMENTO DO DVD ACÚSTICO

Por Luiz André Guazzelli (Tuco)

@tucoguazza

No domingo dia 25 de maio, foi realizada a Festa em Comemoração aos 10 anos da banda The Lords e o lançamento do primeiro DVD acústico do grupo no Santo Rock Bar, em Santo André – SP.

Se você costuma frequentar os bares com música ao vivo no ABC Paulista, especialmente os voltados ao rock ‘n’ roll, então certamente já se deparou com alguma apresentação ao vivo da banda formada por Billy (vocais), Eric (baixo), Gustavo (guitarra) e Marco (bateria). Com média de 200 shows por ano, a banda já dividiu palco com importantes grupos nacionais e internacionais como The Mission, Hoodoo Gurus, IRA!, Titãs (ponto alto da carreira segundo a banda ao tocar para uma plateia de 15 mil pessoas) e fez o “esquenta” para lendas como Eric Clapton e The Cult. Além disso, a The Lords foi uma das bandas participantes do badalado Motorock & Cruise de 2024.

Neste show especial com duração de quase 3 horas realizado para um público que lotou o Santo Rock, a The Lords preparou dois setlists diferentes; um acústico e um outro elétrico com a presença de convidados especiais (músicos de bandas parceiras, ex-integrantes e amigos da banda). Por sinal, tarefa mais do que difícil para os integrantes escolherem as músicas a serem apresentadas, afinal segundo o vocalista Billy a banda tem cerca de 250 músicas no repertório. Já para o baixista Eric a conta é muito maior e já passou das 400 músicas tocadas durante toda a carreira, com destaque para o rock ‘n’ roll das décadas de 70, 80, 90 e bastante coisa dos anos 2000.    

Para ilustrar a profundidade dos setlists da The Lords, no set acústico foram apresentadas músicas que em sua grande maioria não constam no DVD recém lançado pela banda e até algumas novas versões, destaque para “Lonely Day” do System of a Down que ficou impecável no formato acústico e com destaque absoluto para a alternância de vocais entre Billy e Gustavo. Vale destacar também a sensacional trinca inicial do show com as maravilhosas versões de “Crying in the Rain”, famosa com o A-Ha, “Unwell” (Matchbox Twenty) e “Save a Prayer” (Duran Duran). Puxando um pouco a sardinha para o lado deste jornalista, foi surpreendente ouvir as versões de músicas de duas bandas que gosto muito e que são menos conhecidas do público em geral do que deveriam. Falo de Sister Hazel (“All for You”) e Gin Blossoms (“Follow You Down”). “My Sacrifice” (Creed) finalizou o set acústico, comprovando o talento do vocalista Billy. E respondendo e reafirmando vários comentários do público ao meu redor: sim, o rapaz não desafina!

Após um pequeno intervalo, aonde foram mostradas imagens exclusivas e algumas canções presentes no DVD acústico da banda que foi gravado em dezembro de 2024 no próprio Santo Rock Bar, e que em breve estará disponível gratuitamente no canal da banda no YouTube, a The Lords voltou para o set “plugado” com ainda mais energia. Logo no começo foram apresentadas versões de algumas músicas mais “recentes” como “Dog Days Are Over” (Florence & The Machine), “Pump up Kicks” (Foster the People), “Last Nite” (The Strokes) e “Seven Nation Army” (The White Stripes).

Na sequência, o setlist incorporou clássicos absolutos dos anos 70, 80 e 90 para receber os convidados especiais da noite. Desta forma, músicas como “Back on the Chain Gang” (The Pretenders), com direito a altíssimo coral dos presentes na famosa parte dos “ôo-ôos”, “There’s a Light That Never Goes Out” (The Smiths),  “Don’t You Want Me Baby” (Human League), “Roadhouse Blues”/”Break on Through”/Love Me Two Times” (The Doors), “Suedehead” (Morrissey), “New Years Day” (U2) e “Sultans of Swing” (Dire Straits) tiveram as participações especiais de Bruno Freitas (vocalista da K7 Band), Junior Ribeiro (baixista), Leandro Dessico (vocalista da Road Hits), Denis Eduardo “Bisteka” (gaita), André Alves (primeiro baterista da The Lords), Renan Gomes (baixista da banda Livro dos Dias), Renato Zaglio (baterista da Rock Forever), Wagner Dantas e Fred Caetano (respectivamente guitarrista e vocalista da banda Q Rock). E no final, com todos os convidados no palco, fecharam a celebração com uma homenagem ao Rei do Rock, Elvis Presley, na icônica faixa “Suspicious Minds”.

Após o show, a satisfação era geral e a emoção da banda mais do que visível: “A noite foi espetacular! Estar no palco com amigos que fizeram parte da nossa trajetória até aqui e com nosso público que nos acompanha sempre é sensacional”, relatou o vocalista Billy. E já pensando no futuro, afinal o músico brasileiro assim como o rock ‘n’ roll nunca pode parar, o frontman da banda completou: “Agora vamos divulgar cada vez mais nosso trabalho Acústico e o DVD que está sendo lançado, e fazer a Lords chegar em ainda mais lugares, e quem sabe gravar um show elétrico nos próximos meses”.

Realmente, foi uma noite especial e tudo que podemos dizer é que se você ainda não conhece a The Lords então está mais do que na hora de conhecer, porque toda apresentação é única, e garantia de pura diversão. Banda afiada, músicos extremamente competentes e carismáticos e, que, provavelmente irão tocar músicas que fazem parte da trilha sonora da sua vida.

Confira a agenda da banda pelo Instagram @bandathelords, não perca a oportunidade de vê-los ao vivo, e como disse o vocalista Billy ao final desta entrevista: “Let’s Rock!!!”.

Setlist Acústico:

– Crying in the Rain

– Save A Prayer

– Unwell

– All For You

– Come Anytime

– Don’t Get Me Wrong

– Follow You Down

– Friday i’m in Love

– I Still Haven’t Found What i’m Looking For

– Lonely Day

– My Sacrifice

Intervalo (Faixas DVD):

– Shout

-Strange Love

– The Promise

Setlist elétrico:

– Dog Days Are Over

– Pump Up Kicks

– Last Nite

– Molly’s Chamber

– Seven Nation Army

– The Way

– Back on the Chain Gang

– There’s a Light That Never Goes Out

– Suedehead

– Don’t You Want Me Baby

– Roadhouse Blues / Break On Through / Love me Two Times

– New Years Day

– Sultans of Swing

– Suspicious Minds

Contatos:

Instagram: @bandathelords

@billylords

@marcobaterista

@gustavoarengue

@ericrodriguesbass

Email: [email protected]

YouTube: @BandaTheLords

Facebook: The Lords

O melhor “rolê” do mundo

Por Luiz André Guazzelli (tucoguazza)

Foto show/piscina: Nah Suenson

Entre os dias 17 e 24 de março deste ano foi realizada a oitava edição do Moto Rock & Cruise, carinhosamente conhecido como o “barquinho do rock”.

Idealizado pela empresária Monika Cavalera, da Base 2 Produções, o Moto Rock & Cruise é um projeto pioneiro no Brasil, sendo o primeiro cruzeiro temático a proporcionar uma experiência única de rock’n’roll em alto mar desde 2011. O evento deste ano reuniu 700 pessoas em um grupo exclusivo a bordo do navio Costa Diadema num roteiro que passou por Santos, Salvador, Ilhéus e Rio de Janeiro e contou com 17 bandas, entre covers e autorais, 21 shows, uma DJ todos os dias e cinco Festas Temáticas Especiais.

Shows – Para Monika Cavalera, o maior desafio para a organização do evento reside na escalação das bandas e não na logística total do evento, como seria o mais natural de se imaginar. “É muito difícil escolher as bandas que irão tocar no evento no escuro, porque você não sabe se vai agradar a todos, se o estilo será aquele que o passageiro gosta e se o horário que a banda for escalada será o horário que a pessoa vai querer ouvir, se seria melhor uma banda tocar de dia ou de noite”.

The Beast Experience – The Ultimate Iron Maiden Tribute, Plebe Rude, Beatles 4ever e Edu Falaschi foram as bandas responsáveis pelos shows realizados no Teatro Principal do Navio.

A The Beast Experience inaugurou as apresentações no Teatro e trouxe para o evento uma fiel homenagem ao Iron Maiden, com direito a avião inflável, adereços iguais aos utilizados pela banda inglesa e a presença do mascote Eddie. Uma verdadeira celebração para os fiéis fãs da banda de heavy metal.

Ícone dos anos 80, os brasilienses da Plebe Rude tocaram pela terceira vez no “barquinho” e desfilaram seus maiores sucessos com direito a “invasão” do público no palco ao final da última música. Para o baixista Clemente Nascimento, a experiência de tocar no navio é única: “o clima aqui é de total descontração, todo mundo curtindo, um clima de férias mesmo. Eu curto bastante e espero voltar nos próximos”. Estreante no evento, Edu Falaschi, ex-vocalista da banda Angra, também percebeu a atmosfera positiva e o ótimo clima do show o que possibilitou ao artista até sair do convencional e realizar, segundo o próprio, um dos seus “sonhos”, que era tocar em um show uma versão ao violão de “Tempo Perdido” da Legião Urbana, homenageando assim, o rock nacional dos anos 80 ao qual disse ser muito fã. Edu também elogiou o evento: “Eu pude ver alguns shows do Moto Rock Cruise e fiquei muito impressionado com a alta qualidade das bandas e principalmente dos músicos”.

Primeira banda cover da história do Brasil, fundada em 1976, a Beatles 4Ever fez outro show inesquecível, e quem conhece a banda sabe o quanto representam para manutenção do legado dos 4 rapazes de Liverpool aqui no nosso país. Sim, “o sonho não acabou”. Fundador da banda, e único remanescente da formação original, o baterista Ricardo Felício ressaltou a importância do evento e a valorização das bandas tributos no país: “é muito bacana reunir nesse tipo de evento várias tribos de culturas diferentes e abre um leque de várias opções musicais de qualidade tocando com fidelidade e paixão canções de artistas inesquecíveis como os Beatles por exemplo”.

Além destes quatro artistas, tivemos também apresentações diárias em um dos Salões do Navio com as bandas Eletro Acústico (que tocou em dois dias diferentes), Rolls Rock (que também tocou duas dezes no salão sendo uma na Festa do Branco ou Preto), The Lords, Ozzmosis (Especial Ozzy Osbourne), Rush Project (Especial Rush), Old Chevy (Festa Viva Las Vegas), Rocksauro (em dois dias com shows diferentes, um Especial Led Zeppelin e, no outro, um Especial AC/DC), Creedence 4ever (Especial Creedence Clearwater Revival), The Hammer Motorhead Cover e Ton Cremon e Convidados Master Jam.

As Bandas Classical Queen (Especial Queen), Rolls Rock (Festa a Fantasia), Fever Aerosmith Cover (Festa Anos 80) e Guns ‘N’ Roses Cover Brasil (Festa do Pijama) comandaram as badaladas apresentações noturnas na Piscina Central do Navio. Um dos grandes destaques foi a banda Rolls Rock que se apresentou por mais vezes durante o evento (três), comandando duas festas temáticas e apresentando três setlists diferentes nos três shows. O que para alguns poderia ser um desafio, para a banda foi fruto de sua dedicação à música. “Nós temos 21 anos de banda, cerca de 220 músicas no nosso repertório, já plenamente ensaiadas e prontas para serem executadas. A gente decide na hora o que tocar e, claro, sempre procuramos tocar aquilo que o pessoal pede para a gente”, salientou o vocalista e guitarrista da Rolls Rock, Edu Costa.  

Vale lembrar também que a DJ Kelly Silva se apresentou todos os dias no deck da piscina nos momentos de folga entre os shows, animando não só o grupo exclusivo do Moto Rock & Cruise como as outras pessoas presentes no navio. “É um enorme prazer participar deste evento, também participei no ano passado e eu procuro sempre tocar aquilo que o pessoal quer ouvir, com repertórios diferentes e trazer ainda mais diversão para as pessoas no seu momento de lazer. É um evento diferente de tudo, parece um universo paralelo como costumo dizer”.

Festas – Além dos shows que são o ponto alto do Moto Rock & Cruise existem muitas outras atividades que podem ser feitas pelos participantes durante o Cruzeiro, mas sem dúvida alguma as Festas Temáticas promovidas pela organização do evento chamam a atenção.  E nesse quesito os fãs do “barquinho” são insuperáveis! Na Festa Viva Las Vegas a roupa de gala, os ternos coloridos e vestidos roubam a cena. A Festa Anos 80 traz o saudosismo de volta e referências à cultura desta época são vistas em camisetas, bambolês, pochetes, walkmans, etc. Mas nada bate a Festa à Fantasia, nela, a criatividade rola solta e podemos ver lado a lado uma pessoa “transformada” em lagartixa e outra em Darth Vader; um grupo “vestido” de Tetris (sim, o famoso game dos blocos coloridos); um “morto” dentro do caixão; princesas Elfas; bruxas; o fantasma do filme Beetlejuice ou os personagens do Mágico de OZ. Impagável! A Festa do Pijama encerra a semana com um misto de alegria e melancolia, pois significa que a viagem infelizmente acabou. Não é difícil encontrar participantes chorando após o término da festa…

Participantes – E por falar em participantes, aí está o grande segredo e talvez a maior virtude do Moto Rock & Cruise. O grupo de pessoas de diversas idades que curte o evento forma uma verdadeira família que só vai aumentando e ganhando força com o passar dos dias, ou melhor das madrugadas. Desde famílias completas, até pessoas que estiveram em diversas edições do evento e que se dedicam por inteiro ao evento ou como este que vos escreve, que estão indo pela primeira vez. Mas no final, todos curtem juntos e já combinam a próxima.

Já no seu quarto Moto Rock & Cruise, o produtor rural de Limeira-SP, Eduardo Luis Mercuri, 48 anos, é um dos que se doam por inteiro ao evento e costuma usar cada dia uma fantasia ou adereço diferente. “Esta é uma forma de expressar minha alegria de estar no evento. Gera risadas, muitas fotos, interação com demais passageiros. Essa ideia surgiu para amenizar o olhar dos passageiros do cruzeiro para com nosso grupo do rock, que eram pessoas usando coletes, camisetas pretas, estampas de caveira. Este é um evento muito especial para mim”, ressalta.

Veterano no Moto Rock & Cruise e um dos participantes mais queridos pelo grupo, o comerciante de Santo André-SP, Denis Nassa, mais conhecido no “barquinho” como “Tio Chico”, 42 anos, já participou de sete edições do evento e garante que este é o “Melhor Rolê do Mundo”, lema defendido por outras diversas pessoas, inclusive. “Com certeza este é o melhor rolê do mundo, onde tem tudo que você mais gosta, diversão, música boa e a melhor galera de todas e tudo dentro de um lindo navio”. O empresário ainda reforça: “não tem como não sair de cada edição com pelo menos 20 novas amizades. É sempre uma emoção voltar a cada ano e reencontrar essas pessoas que passaram a fazer parte de uma grande família”.

Além daqueles que estão repetindo a experiência do Moto Rock & Cruise, todo os anos tem gente nova participando. Pela primeira vez no “barquinho do rock”, a ortodontista de 44 anos moradora de São Sebastião do Caí-RS, Celeste Blauth Juchem, adorou o evento e já pensa em retornar no ano que vem: “Achei tudo muito legal, as pessoas são ótimas, muito fáceis de se enturmar e os shows foram sensacionais. As bandas tributo foram perfeitas. Vou me programar para voltar em 2025 e trazer mais pessoas comigo”.

Segundo, Monika Cavalera da Base 2 Produções, a edição do Moto Rock & Cruise 2025 já está garantida e deverá ter basicamente o mesmo formato, faltando apenas decidir as datas e o roteiro. Portanto, fiquem de olho nas redes sociais do evento (@motorockcruise) que novidades poderão ser anunciadas a qualquer momento, afinal, muita gente não vê a hora do “Melhor Rolê do Mundo” recomeçar.